As cidades são actores decisivos na economia de um País. Segundo Richard Florida (http://www.creativeclass.org), os aglomerados que apostam na criatividade serão aqueles, que no quadro da economia do conhecimento, mais relevância assumirão.
A aposta na criatividade, segundo aquele autor, consuma-se na atracção de talento, a existência de escolas e empresas inovadoras, a prática da tolerância e participação pública. As cidades critiavas são autênticas, informais, e vibrantes. A sua qualidade de vida é excelente.
Em Portugal, o tema das cidades criativas tem atraído a atenção de muitos municípios. A Universidade de Aveiro organizou inclusivé um concurso de ideias que atraíu dezenas de equipas do ensino secundário (ver http://cidadescriativas.blogs.sapo.pt/).
Neste artigo, exploram-se dois elementos essenciais para que uma cidade como Leiria, que possui uma excelente qualidade de vida, se transforme numa cidade verdadeiramente criativa: o estímulo à criatividade empreendedora; e a participação dos seus cidadãos nos processos de transformação da cidade.
A criatividade empreendedora pode ser ensinada nas escolas. O programa Junior Achievement Portugal é uma inspiração para iniciativas da cidade com essa orientação. Mas o factor crítico de sucesso para um jovem empreendedor passa por arranjar clientes para os seus produtos ou serviços. Se houver uma Associação que desempenhe este papel “casamenteiro”, Leiria assistirá ao aparecimento de um número substancial de novas empresas. Mais tarde, essas empresas ajudarão a criar o ecosistema (incluindo actores financeiros, legais, técnicos e de comunicação) necessário para uma Leiria pujante.
A transformação da cidade numa área urbana e criativa não pode ser ditada; tem que ser participada. A inteligência colectiva, expressa na agregação de propostas individuais dos leirienses, deve ser explorada prioritáriamente nesse processo..
A participação pública no planeamento e operação de Leiria pode adoptar metodologias desenvolvidas no âmbito de projectos Europeus como foi o caso do “Participatory Spatial Planning for Europe”, liderado pela equipa Portuguesa. Mas essa participação pode transcender o planeamento urbano e ser utilizada para prioritizar actividades associadas à transformação pretendida, nomeadamente utilizando mercados simulados (ver http://bpp.wharton.upenn.edu/jwolfers/Papers/Predictionmarkets.pdf), outras ferramentas colaborativas (ver http://dotank.nyls.edu/ e, sobretudo, o exercício em curso para Boston em http://www.boston.com/news/specials/futureboston/).
As experiências realizadas no Teatro São Luís, no período da última campanha eleitoral para Lisboa, podem ser também realizadas em Leiria. Essas experiências combinaram as vantagens da participação presencial com a capacidade multiplicadora da Internet: envolveram contribuições de quinhentos cidadãos no local e a colocação de algumas das intervenções convidadas e comentários resultantes na rede. Poderão ser o ponto de partida para uma Leiria mais criativa e participada.
Thursday, September 18, 2008
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